Consulte inscrição

Começar a correr depois dos 40 sem lesões

3 de Fevereiro, 2026

Se está a pensar começar a correr depois dos 40 anos, ou voltar a correr depois de muito tempo parado, é natural ter dúvidas sobre como deve iniciar este processo.

Começar a correr depois dos 40 anos passou a ser uma realidade cada vez mais comum. Nesta fase da vida, a corrida surge muitas vezes como uma forma prática e eficaz de melhorar a saúde, combater o sedentarismo, ganhar energia e reduzir o stress do dia a dia. No entanto, também exige uma abordagem diferente: mais consciente, progressiva e ajustada à sua realidade física.

A boa notícia é que é perfeitamente possível ganhar ritmo, correr com regularidade e desfrutar de todos os benefícios da corrida após os 40 anos, desde que saiba como planeá-lo devidamente.

Neste artigo, vamos explicar-lhe como:

  • como iniciar os treinos de corrida de forma segura, 
  • que cuidados deve adotar para evitar lesões
  • e quais os passos essenciais para transformar os treinos num hábito saudável e sustentável a longo prazo.

Se quer começar a correr depois dos 40, não está sozinho. Nos últimos anos, cada vez mais pessoas decidiram calçar as sapatilhas e dar os primeiros avanços nos treinos de corrida, muitas vezes numa fase em que a prioridade já não é o desempenho, mas sim a saúde e o bem-estar.

Nesta fase, a relação com o desporto muda. Em vez de objetivos competitivos ou recordes pessoais, o que normalmente as pessoas procuram é:

  • melhorar a condição física e a saúde cardiovascular;
  • combater o sedentarismo e o aumento de peso;
  • reduzir o stress diário;
  • ter um momento só seu, longe das obrigações profissionais e familiares.

A corrida destaca-se precisamente por responder a estas necessidades. É simples, acessível e adapta-se facilmente à rotina. Não exige horários fixos nem grandes investimentos, permitindo ajustar o ritmo e a duração do treino à condição física de cada um.

De acordo com os dados estatísticos, a participação feminina na corrida tem crescido de forma consistente na idade adulta, abrangendo muitas mulheres entre os 30 e os 40 anos. Embora ainda existam mais homens a correr, muitas mulheres encontram nesta modalidade uma forma eficaz de ganhar energia, cuidar da saúde e criar um hábito regular de atividade física.

Para muitos iniciantes após os 40, a corrida é uma das poucas modalidades que se ajusta à rotina e não o contrário.

Como têm evoluído os objetivos da corrida?

Este novo perfil de corredor ajuda a explicar o crescimento da participação em provas populares, como corridas de 5 km, 10 km ou 15 km. São distâncias acessíveis, que funcionam como metas concretas e motivadoras, sem a pressão associada a desafios altamente competitivos. Para muitos, estas provas representam um primeiro objetivo estruturado e uma forma simples de dar consistência aos treinos.

Com o tempo, e à medida que a confiança e a condição física melhoram, alguns corredores começam a olhar para distâncias mais longas, como a Meia Maratona (21 km) ou a Maratona (42 km). Nem sempre com ambições competitivas, mas como um desafio pessoal, ligado à superação individual e à vontade de ir mais longe, física e mentalmente.

O que fazer antes de começar a correr após os 40 anos?

Mulher com mais 40 anos começa a fazer treinos de corrida.

Começar a correr pode ser uma decisão muito positiva para a saúde, sobretudo quando representa o fim de um estilo de vida sedentário. As evidências científicas demonstram que o exercício regular nesta fase da vida traz benefícios claros para o coração, o controlo do peso, a mobilidade e o bem-estar geral. Ainda assim, é importante que este regresso, ou início, à atividade física seja feito com alguma prudência.

Antes de iniciar um plano de treino, é importante avaliar o seu estado de saúde. É recomendável falar com o seu médico de família, especialmente se tiver historial de condições de saúde, como:

  • problemas cardiovasculares (insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão, por exemplo);
  • doenças crónicas (como diabetes);
  • lesões musculares antigas;
  • excesso de peso significativo;
  • ou se estiver a tomar medicação que possa influenciar o esforço físico, como fármacos que afetam a frequência cardíaca ou a tensão arterial.

Se não existirem contraindicações, os treinos de corrida podem ser iniciados gradualmente. Ou seja, deve alternar a corrida com caminhada, aumentar a intensidade aos poucos e respeitar os dias de descanso, permitindo que o corpo se adapte à nova rotina sem sobrecargas. 

Recomendações gerais para começar a correr

Corredor que vai começar a correr alonga as pernas.

Começar a correr depois dos 40 anos não é apenas uma questão de calçar as sapatilhas e sair de casa. É, acima de tudo, um processo de adaptação do corpo a um estímulo novo, com impacto repetido e exigência cardiovascular.

Nesta fase da vida, o organismo responde de forma diferente ao treino. A recuperação tende a ser mais lenta, a rigidez articular aumenta e a força muscular diminui progressivamente, se não for trabalhada. Isto não impede a prática da corrida, mas torna essencial a adoção de uma abordagem mais estratégica.

Uma das principais recomendações é separar claramente o início da progressão. Nos primeiros meses, o seu objetivo não deve ser correr mais rápido ou mais longe, mas criar tolerância ao impacto e desenvolver uma base aeróbia sólida. Para a maioria das pessoas, este período de adaptação pode durar entre 4 a 6 meses.

Durante esta fase inicial, faz sentido:

  • encarar cada treino como parte de um processo, não como um teste de desempenho;
  • aceitar ritmos mais lentos do que o esperado;
  • dar prioridade à frequência dos treinos, mesmo que sejam curtos;
  • evitar comparações com outros corredores ou com experiências passadas.

Só depois do corpo se adaptar ao esforço regular é que faz sentido introduzir objetivos mais específicos, como: aumentar a distância, melhorar o ritmo ou participar numa prova. A pressa para avançar etapas é uma das principais causas de lesões e do abandono precoce.

Começar devagar não é sinal de limitação, mas de inteligência no treino. Nesta idade, o progresso constrói-se com a regularidade, a recuperação adequada e com escolhas mais conscientes.

Mudanças no corpo a partir dos 40 anos: quais as mais evidentes?

A partir dos 40 anos, o corpo não “deixa de funcionar”, mas começa a responder de forma diferente aos estímulos físicos. Algumas mudanças são subtis, outras tornam-se mais evidentes com o tempo, sobretudo quando se inicia uma atividade com impacto, como a corrida. Conhecer algumas destas alterações é essencial para ajustar expectativas e treinar de forma mais inteligente.

De acordo com os estudos clínicos, estas são as mudanças fisiológicas mais evidentes:

  • perda gradual de massa e força muscular. A partir dos 30 até aos 40 anos, inicia-se um processo natural de perda de massa muscular (sarcopenia), especialmente se não houver estímulo regular de força. Esta influencia a potência, a estabilidade e a capacidade de absorver o impacto da corrida;
  • recuperação mais lenta após o esforço físico. O corpo passa a precisar de mais tempo para recuperar entre treinos. As microlesões musculares e a fadiga acumulada demoram mais a serem resolvidas, tornando os dias de descanso tão importantes quanto os dias de exercício;
  • alterações no sistema cardiovascular. A frequência cardíaca máxima diminui progressivamente com a idade. Isso significa que ritmos outrora confortáveis podem tornar-se mais exigentes e o controlo da intensidade passa a ser mais relevante do que a velocidade absoluta;
  • redução da mobilidade e da elasticidade. Tendões, ligamentos e articulações tornam-se menos elásticos ao longo dos anos. Esta maior rigidez pode afetar a amplitude de movimentos e aumentar o risco do desconforto articular, especialmente em joelhos, ancas e tornozelos;
  • metabolismo mais lento e maior facilidade em ganhar peso. O gasto energético em repouso tende a diminuir, podendo aumentar a gordura corporal se os hábitos alimentares e de atividade não forem ajustados;;
  • alterações hormonais. Nos homens, há uma redução gradual da testosterona, que pode ter impacto na força e na recuperação. Nas mulheres, a aproximação da menopausa pode provocar alterações mais marcadas na densidade óssea, na composição corporal e nos níveis de energia.

Estas mudanças não são um obstáculo à corrida, mas sim um sinal de que o treino deve ser adaptado. Com o reforço muscular adequado, é possível evoluir e superar-se consistentemente.

Conselhos fundamentais para começar da forma certa

Corredor sobe escadas para aquecer antes de correr.

Com a abordagem certa, a corrida pode tornar-se uma aliada poderosa da saúde, da energia diária e do bem-estar, independentemente do ponto de partida.

Os conselhos que se seguem foram pensados para o ajudar a dar esse passo com confiança. São orientações práticas, baseadas em evidência científica e na experiência de quem começa a correr nesta fase da vida, para que possa evoluir de forma segura, consistente e sustentável.

1. Siga um plano de treino adequado à idade

Idealmente, o plano de treino deve ser adaptado por um profissional de exercício ou treinador, tendo em conta a idade, o historial clínico e a experiência prévia. Quando isso não é possível, métodos progressivos como o CaCo (Caminhar + Correr) são amplamente recomendados para iniciantes e para quem regressa ao exercício após pausas longas, uma vez que permitem uma adaptação gradual ao impacto da corrida.

Este tipo de abordagem ajuda a:

  • preparar os músculos, os tendões e as articulações para o impacto repetido;
  • reduzir o risco de lesões comuns em corredores iniciantes;
  • desenvolver a resistência cardiovascular de forma sustentada.

2. Escolha equipamentos adequados (especialmente as sapatilhas)


Não é necessário investir em material de última geração, mas
o calçado certo é fundamental, já que ajuda a reduzir o risco de lesões por sobrecarga, comuns em corredores iniciantes.

Na escolha das sapatilhas mais adequadas, considere:

  • o conforto geral (o fator mais importante);
  • o tipo de passada (neutra, pronadora ou supinadora);
  • o peso corporal e o volume semanal de treino;
  • o tipo de terreno onde vai correr.

3. Aqueça sempre antes de correr

O aquecimento é ainda mais relevante com o avançar da idade. As recomendações clínicas indicam que um aquecimento adequado melhora a mobilidade, aumenta a eficiência cardiovascular e reduz o risco de lesão.

Antes de correr, dedica 5 a 10 minutos a:

  • caminhada ativa ou corrida muito leve;
  • mobilização de tornozelos, joelhos e ancas;
  • exercícios dinâmicos simples (não alongamentos estáticos prolongados).

4. Aprenda a distinguir desconforto de dor

 

A ideia de que “sem dor não há progresso” não tem base científica. A dor é um sinal de alerta, não um indicador de eficácia do treino. É normal sentir dor muscular tardia (DOMS) nas primeiras semanas, sobretudo após os treinos mais longos ou intensos. Este tipo de desconforto:

  • surge 24-48 horas após o treino;
  • é difuso e muscular;
  • melhora com o descanso ativo.

Já as dores articulares persistentes, pontuais ou que pioram com o treino devem ser avaliadas por um fisioterapeuta ou profissional de saúde. Ignorar estes sinais pode aumentar o risco de lesões crónicas.

Lembre-se: mesmo após a corrida, a hidratação continua a ser fundamental. É importante repor os líquidos e sais minerais perdidos na transpiração. Por isso, não se esqueça de:

  • beber água ao longo do dia, para uma reidratação progressiva;
  • optar por bebidas isotónicas, que ajudam a repor eletrólitos como o sódio e o potássio;
  • incluir alimentos naturalmente ricos em eletrólitos, como fruta (banana, abacate, melancia, laranja, etc.) e sopas leves.

5. Alimente-se de forma equilibrada para apoiar o treino

A nutrição tem um papel central na adaptação ao exercício, sobretudo a partir dos 40 anos. Uma dieta equilibrada melhora a recuperação, a composição corporal e a capacidade de treino.

Nesse sentido, tente incluir:

  • hidratos de carbono para fornecer energia;
  • proteínas para manutenção e recuperação muscular;
  • gorduras saudáveis;
  • vitaminas e minerais essenciais.

A hidratação é igualmente crítica. As recomendações apontam para cerca de 1,5 a 2 litros de água por dia, ajustando-o em função da atividade física e das condições climáticas . Em caso de dúvida, um nutricionista pode ajudá-lo a personalizar a alimentação ao seu plano de treino.

6. Inclua treino de força na sua rotina

O treino de força é altamente recomendado para adultos a partir dos 40 anos. Segundo o National Institute on Aging, trabalhar força ajuda a preservar a massa muscular, a melhorar a mobilidade e a reduzir o risco de quedas e lesões.

Para os corredores, os benefícios também são claros:

  • melhor estabilidade e eficiência da passada;
  • menor sobrecarga nas articulações;
  • redução do risco de lesões por uso excessivo.

O ideal é incluir uma a duas sessões semanais com exercícios simples, sobretudo nos para membros inferiores e abdominal.

7. Valorize o descanso e a recuperação

A recuperação fica mais lenta com a idade, tornando o descanso ainda mais importante nesta fase. É importante relembrar que o corpo adapta-se ao treino durante o repouso, não durante o esforço .

Para quem começa a correr depois dos 40 anos, saiba que:

  • dois a três treinos de corrida por semana são suficientes;
  • os dias de descanso precisam de ser respeitados, uma vez que reduzem o risco de lesão;
  • dormir bem faz parte do treino semanal.

8. Não tenha pressa em melhorar tempos

Nos primeiros 4 a 6 meses de treino, o foco deve ser criar uma boa base aeróbia e tolerância ao impacto da corrida. A progressão demasiado rápida é uma das principais causas de abandono e lesão em corredores adultos.

Quando for capaz de correr de forma confortável durante 45–50 minutos, estará bem preparado para pensar em objetivos concretizáveis, como a participação numa prova de corrida.

E se a próxima meta fosse uma Meia Maratona?

Corredor com mais de 40 anos participa em Meia Maratona.

Começar a correr depois dos 40 não significa limitar ambições, mas redefini-las. À medida que a rotina se consolida, o corpo se adapta e a confiança aumenta, é natural que surja a vontade de transformar os treinos num objetivo de superação concreto. 

A EDP Meia Maratona de Lisboa pode representar esse horizonte. Não como um desafio imediato ou impulsivo, mas como uma meta construída com tempo, consistência e preparação consciente. Com um plano adequado e uma progressão equilibrada, completar os 21 km torna-se uma possibilidade real, mesmo para quem começou a correr mais tarde.

Mais do que o cronómetro ou a classificação, participar numa prova desta dimensão simboliza a consolidação de um caminho: sair da inatividade, criar hábitos de treino duradouros e cruzar a meta com segurança e confiança. Vamos lá tentar?

FAQs – Perguntas frequentes: começar a correr depois dos 40

É seguro começar a correr depois dos 40 anos?

Na maioria dos casos, sim. Desde que não existam problemas de saúde que o contraindiquem, a corrida pode ser uma atividade segura e benéfica. Ainda assim, é aconselhável fazer uma avaliação clínica antes de iniciar e avançar de forma gradual, respeitando o nível de condição física atual.

Quanto tempo demora até ganhar resistência e ritmo?

Com treino regular, muitas pessoas começam a notar melhorias na resistência e no conforto a correr ao fim de 3 a 4 meses. A evolução depende do ponto de partida, da consistência e da forma como o treino é estruturado.

Quantas vezes por semana é recomendável correr?

Para quem está a começar, 2 a 3 sessões semanais são suficientes. Esta frequência permite criar hábitos de corrida, melhorar a condição física e, ao mesmo tempo, dar ao corpo o tempo necessário para recuperar entre treinos.

Quais são as lesões mais frequentes após os 40 anos?

As queixas mais comuns envolvem tendinites e dores nos joelhos ou tornozelos. Normalmente estão associadas a aumentos rápidos de carga, falta de adaptação progressiva ou ausência de descanso adequado.

O treino de força é mesmo necessário entre corridas?

Sim. Trabalhar a força ajuda a preservar a massa muscular, melhora a estabilidade e torna a corrida mais eficiente. Além disso, reduz de forma significativa o risco de lesões, especialmente numa fase da vida em que a recuperação é mais lenta.